Do Começo: Choro do bebê não é sofrimento

Posted on Jan 24 2013 - 12:40pm by cristina.castillo@pannacottagroup.com

Resolvi escrever sobre o choro pois percebo que a reação da maioria das pessoas quando vêem um bebê chorando é a mesma. Todos fazem cara de “coitadinho do bebê, está sofrendo!” Quando digo bebê, me refiro aos pequenininhos, pois os maiores conseguem esboçar o que querem sem necessariamente chorar. Tenho uma amiga que tem uma bebê de oito meses, ela não chora mais para pedir comida, ela dá gritinhos, por exemplo.

Mas, não é isso que quero explicar. Quero dizer que o choro do bebê é a FORMA DE COMUNICAÇÃO DELES. Eles não sabem falar, não sabem gritar, só sabem chorar, e se comunicam desse jeito. Então quando o bebê chora de fome, por que a fralda está molhada, ou suja, ou está com frio, ele não está sofrendo, ele está  “SOANDO UM ALARME” que tem um significado, e que cabe à nós, pai e mãe, fazermos o check list e tentar descobrir o motivo.

 

Toda mãe sabe o que significa cada choro do seu bebê. Eu achei que nunca fosse saber. Mas hoje eu sei o que significa cada alarme que a Duda ecoa pela casa. Mas, o que incomoda mesmo é a quantidade de pessoas que além de achar que o bebê está em profundo sofrimento quando chora, ainda acha que tem a receita de sucesso para resolver o choro do seu filho.

 

Aqui no meu prédio por exemplo as pessoas escutam a Maria Eduarda chorar, e vem me perguntar se ela está com fome? Ou seja, a pessoa está escutando apenas; não está vendo o que está acontecendo e tira as próprias conclusões. É praticamente alguém dizendo: “Que mãe desalmada essa que deixa a criança berrar de fome por tanto tempo!” A vizinha que escuta o choro não pensa que ela pode estar chorando no trocador, irritada por que estamos mexendo nela ou que está chorando por qualquer outro motivo.

 

 

As pessoas não se dão conta de que cães latem, gatos miam e bebês choram. O choro que deve preocupar é aquele ininterrupto, que nada resolve, acompanhado de expressões de dor. Esse sim é preocupante. E, acredite, esse é o pior choro que existe e qualquer mãe sabe quando ele chega. Mas, quando esse choro acontecer, não escute ninguém, ligue para o seu pediatra e relate a situação. Senão vira um tal de um dizer que é colo, o outro dizer  que é cólica, o outro dizer que é fome e você vai ficando desesperada pois nada resolve e todo mundo acha que tem a receita milagrosa para o problema do seu bebê.

 

Nestas horas, menos  é mais. Digo isso pois aconteceu comigo. Há 15 dias a Maria Eduarda passou a ter umas crises de choro que não acabavam nunca. Ouvi que era fome da mulher no shopping que ignorou que a criança tinha acabado de sair do meu peito, ouvi que era cólica da minha vizinha que veio aqui em casa depois de uma madrugada de crise, ouvi que era dor de estômago. Ignorei todo mundo e liguei para a minha pediatra. Começamos a investigar e descobrimos uma infecção urinária. Ninguém pensou em infecção urinária, nem eu! Pensei apenas em procurar alguém QUALIFICADO para resolver o problema. E esse alguém não é o vizinho, a sogra, a avó e a tia, é o PEDIATRA!

 

Teve uma amiga minha que na primeira consulta da filha o pediatra perguntou: e aí, vocês já estão se entendendo? Se eu fosse a mãe eu responderia: PERFEITAMENTE. Me dediquei esse um mês e meio a entender o que a Maria Eduarda queria dizer com cada choro. E tenho acertado. Ponto para nós! Ela sofre menos e eu também.

 

Branca Andrade é jornalista e acabou de ganhar a primeira filha. Como mamãe de primeira viagem, vai escrever regularmente aqui no Do Começo. Acompanhe!